segunda-feira, 8 de dezembro de 2008


QUANTUM OF SOLACE


No mais seco e passional James Bond já filmado, QUANTUM OF SOLACE é um ofegante mergulho na ação desenfreada que urge nas variadas seqüências de pancadaria, tiros, golpes a faca, perseguição em carros, aviões e barcos.
Em tradução aproximada, o título significa “mínimo de consolo” e aqui é expresso diretamente na forma como o agente britânico exerce sua licença para matar, vingando a morte de Vesper (Eva Green), a Bond girl de CASSINO ROYALE por quem se apaixonara e por quem foi traído. O resultado é uma história mais focada em espionagem do que “love affairs”. Há pouco romance (embora haja algumas cenas) e a Bond girl Olga Kurylenko passa quase despercebida na fita.
QUANTUM OF SOLACE se passa 40 minutos depois de CASSINO ROYALE e em 6 locações diferentes. É a primeira seqüência da história do espião no cinema (Os outros 21 filmes têm roteiros independentes) e é adrenalina pura. Parte do mérito se deve à competente direção de Marc Foster que divide o crédito com a equipe técnica supervisionada por Dan Bradley e Gary Powell, veteranos da trilogia BOURNE e responsáveis pelas emocionantes cenas que deixam qualquer credibilidade na poeira.
O filme esbanja um certo domínio técnico, um acabamento impecável, envernizado, polido, lapidado. A edição da cena da “Tosca” por exemplo, sincronizando a ópera à música clássica e às perseguições e tiroteios é um toque de mestre. É o triunfo do cinema de arte embalado em fita comercial.
Craig repete uma interpretação marcante que sugere uma certa invencibilidade. Nada o impede ou o detém. Suas ações são meticulosas e precisas. Judi Dench tem boas cenas e Mathieu Amalric, graças aO ESCAFANDRO E A BORBOLETA interpreta a loucura do seu vilão sempre através do olhar penetrante.
QUANTUM OF SOLACE é um filme eficiente no que se propõe: Uma história bem contada sempre no volume máximo e com elenco afiado. Há somente um perigo nessa versão do herói de Ian Fleming. Um assassino tem sempre algo a resgatar nos filmes. Bourne tinha a presunção da inocência e o Bond de Sean Connery tinha uma sagacidade irônica. Já o Bond seco de Craig, está impassível diante de qualquer sentimento. Tornou-se uma máquina de matar, um mero soldado da rainha.

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